Macroeconomia
A Selic em queda: o que muda no crédito e no bolso do trabalhador?
Com o Copom cortando a taxa básica de juros, o custo do dinheiro começa a mudar — mas o alívio não chega ao mesmo tempo para todos.
A taxa Selic é o principal instrumento de política monetária do Brasil. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) a cada 45 dias, ela estabelece o custo de referência pelo qual os bancos se emprestam entre si — e, por efeito cascata, o custo de praticamente todo crédito na economia. Quando o Copom eleva a Selic, o crédito encarece, o consumo desacelera e a inflação tende a ceder. Quando inicia um ciclo de cortes, o movimento inverso se desenrola, mas raramente de forma instantânea. Entre o comunicado do Copom e a queda efetiva dos juros no cartão de crédito rotativo ou no financiamento de um carro, há um intervalo que pode durar meses — e que os grandes bancos administram em seu favor.
Para o trabalhador assalariado, a mudança mais perceptível costuma vir pelo crédito consignado e pelos financiamentos habitacionais atrelados à TR. Com a Selic em trajetória descendente a partir do segundo semestre de 2023, dados do Banco Central registraram queda gradual nas taxas médias de concessão para pessoas físicas — mas os spreads bancários permaneceram acima de 30 pontos percentuais em algumas modalidades. Isso significa que, mesmo com juros básicos menores, o crédito rotativo ainda é um dos mais caros do mundo. A boa notícia é que aplicações de renda fixa atreladas ao CDI perdem atratividade à medida que a Selic cai, o que historicamente pressiona consumidores a antecipar compras de bens duráveis e pode aquecer setores como construção civil e varejo. O efeito líquido sobre o orçamento doméstico depende do perfil de cada família: quem tem dívidas se beneficia mais rápido; quem vive de rendimentos de poupança sente o impacto negativo.
